Não estruturei roteiro para esse vídeo. Abri o e-mail, joguei as anotações do celular na tela e fui falando. Porque o assunto era urgente demais para esperar pelo polimento de sempre.
Durante o carnaval, enquanto o Brasil desfilava, eu estava no terminal. Uma semana, seis dias de trabalho, e um volume de software criado que me fez repensar tudo que eu achava que sabia sobre desenvolvimento.
Estou falando do Claude Code — o CLI da Anthropic que você instala no Linux e acessa por SSH. E o que eu vou compartilhar aqui não é review técnico. É relato de quem saiu do outro lado diferente.
Como chegou o Claude Code na minha vida
Meu setup original: Windows para edição de vídeo, uma VPS na Hostinger para brincar com Linux. Primeiro testei o Antigravity, instalei, gostei, mas logo esbarrei num problema chato: o agente rodava no Windows, o código ficava no Linux, e a conexão via Samba e SFTP nunca foi fluida o suficiente.
Um amigo da empresa disse: "Testa o Claude Code no CLI". Instalei. Entrei por SSH no servidor. Digitei claude e dei enter.
É outro nível. Simples assim.
A diferença fundamental é que o agente tem acesso real à máquina — ele executa comandos, lê arquivos, escreve, instala dependências. Não é só um copiloto de sugestões. É um desenvolvedor que trabalha junto com você no mesmo ambiente.
O que eu construí em uma semana
Deixa eu contar as ferramentas que saíram dessa semana, porque o volume diz mais do que qualquer argumento.
1. Postador automático de vídeos para redes sociais
O problema: eu cortava meus vídeos no Real Oficial, mas agendar o upload para TikTok, Instagram, Facebook e YouTube era manual, trabalhoso e ainda tinha bugs — o software deles expira o vídeo após 30 dias e eu perdi conteúdo programado.
A solução que construí: faço upload pelo navegador, o sistema usa o Whisper para transcrever o áudio, uma IA gera a legenda ideal para cada rede social (respeitando o limite de caracteres de cada uma) e agenda nos horários fixos de 8h30 e 20h30. Conectei via API com a Getlate. Está rodando, está funcionando, e eu não preciso mais pensar nisso.
2. Clone do Real Oficial para cortes automáticos
Só para entender até onde dá para ir, fiz uma versão própria da ferramenta de cortes. Ela pega o vídeo grande, transcreve com Whisper, passa por uma IA que identifica os melhores momentos com os timestamps, e usa o FFMPEG para fazer os cortes. Não ficou tão refinado quanto o produto comercial — tem ajustes a fazer — mas ficou decente para uma brincadeira de carnaval.
3. Música automática nos reels
Observei que os reels que mais engajam usam música de fundo baixinha. Fiz uma ferramenta que pega meus cortes e insere trilha sonora a -17dB — audível, mas sem cobrir a voz. Deu certo. Já estou usando.
4. Lúcia — a IA interna da empresa
Essa foi a que mais me animou. Criei um chatbot interno chamado Lúcia (nome da minha filha) com interface parecida com o ChatGPT. Mas por baixo, ela conecta às APIs do nosso CRM, do nosso software de cobranças e de outros sistemas internos.
Resultado: consigo perguntar "qual foi o MRR vendido hoje?" ou "quais vendedores habilitaram algum serviço essa semana?" — e recebo a resposta em segundos, cruzando dados de sistemas diferentes.
Coloquei em produção na tarde de ontem. Dois sócios e um coordenador passaram a manhã toda conversando com ela. Existe demanda. As empresas pagariam caro por isso.
Dica de negócio: pega as APIs de todos os softwares que uma empresa usa, une numa IA e vende essa possibilidade de conversar com todos os dados da empresa. Isso vende.
5. Analytics próprio + integração com Telegram
Não gosto do Google Analytics novo. Construí um sistema simples que registra acessos, dispositivos e origem do tráfego. Criei uma API que retorna JSON e conectei ao OpenClaw — agora consigo perguntar pelo Telegram quantas pessoas acessaram o site, de onde vieram, o que fizeram.
Conectei também às APIs do eGestor e do Hotmart: peço a última venda, o valor, a nota fiscal, a URL da NF — tudo via mensagem no Telegram.
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Sim, refiz o site inteiro também. Na mesma semana.
Uma observação sobre os tokens
Estourei o limite semanal do Claude ontem à noite. O plano pago gasta muito token quando você usa Claude Code de verdade — a Anthropic provavelmente está perdendo dinheiro com isso por enquanto.
Um usuário no Twitter me indicou um MCP chamado Serena que ajuda a economizar tokens por entender melhor o contexto do projeto. Vale pesquisar se você usa Claude Code intensamente.
O debate que eu precisava ter com meus desenvolvedores
Aqui a conversa fica mais difícil — e mais importante.
Tenho dois setores na empresa que criei formalmente e que viralizou quando postei no Twitter: os Devs e os Anti-Devs. Os Anti-Devs são pessoas com algum conhecimento de programação, não seniores, que usam ferramentas como Lovable, Claude Code e Windsurf para construir ferramentas internas. A reação de programadores no Twitter foi intensa — muita gente brava, falando de falhas de segurança, de riscos.
Tudo bem. Os riscos existem. Mas programadores experientes também produzem código com falhas de segurança. A diferença é que os Anti-Devs estão construindo ferramentas internas, não produto para o cliente final — e eu peço que instalem na rede local justamente por isso.
O que me preocupou mais foi a conversa com os Devs.
Tinha uma funcionalidade atrasada há meses. Desenvolvi o front-end com Claude Code em horas. O back-end ainda ficou com a equipe. E aí um dos desenvolvedores mais experientes me disse: "Eu não gosto de IA". Senti o peso daquilo.
Na manhã de hoje, antes de gravar, outro desenvolvedor quando falei do Claude Code disse: "Não, nem vou testar. Eu sou um artesão. Eu quero desenvolver".
Respeitei na hora. Mas não posso pagar por artesanato quando o mercado está mudando na velocidade que está.
A postura que eu defendo
Não estou dizendo que IA resolve tudo. Não estou dizendo que não existem riscos de segurança, que não é necessário revisar o código gerado, que programadores seniores deixaram de ser necessários. Estou dizendo que desenvolver tudo à mão, sem ferramentas de IA, é um caminho que vai ficando para trás.
E sobre entregar IA para os clientes: todo mundo aqui quer colocar IA no eGestor, no NF+, nos nossos produtos. Eu entendo o entusiasmo. Mas minha estratégia é diferente.
Primeiro a gente usa internamente. Entende como funciona, erra aqui dentro, aprende. Depois leva para o cliente. Porque tem um erro clássico em SaaS: desenvolver feature que você mesmo nunca usou e que você não sabe como o cliente realmente vai usar. Com IA isso é ainda mais perigoso — porque a margem para surpresa é maior.
Use você mesmo. Quebre você mesmo. Depois escale.
Vale a pena testar Claude Code?
Se você já tentou vibe coding no passado e não gostou, tenta de novo. As coisas mudaram. O código está saindo como se fosse água — não perfeito, não sem revisão necessária, mas em volume e qualidade que não tem comparação com o que era há um ano.
Em uma semana construí seis ferramentas que resolrem problemas reais do meu negócio. O Mac Mini que comprei está chegando nesses dias para acelerar ainda mais os experimentos com edição de vídeo.
Quer ver o Claude Code em ação com resultado real? Leia: Como usei o Claude Code para aumentar R$11K de MRR em um dia. Conheça também o Lovable, outra ferramenta de IA que está transformando o desenvolvimento.
O futuro do software está sendo escrito agora. A pergunta não é se você vai usar IA no desenvolvimento — é quando, e se você vai estar na frente ou atrás dessa curva.
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