Deivison comentou um tweet de Jason Fried, fundador do Basecamp, que discute se a inteligência artificial vai permitir que qualquer empresa construa seu próprio software personalizado e, com isso, acabar com o modelo SaaS.
O tweet de Jason Fried e a realidade do software sob medida
Jason Fried, um dos fundadores do Basecamp e autor do livro Getting Real, publicou uma reflexão sobre a ideia de uma "revolução de software sob medida" impulsionada pela IA. O argumento dele é direto: software personalizado já existe há décadas, feito por consultores e grandes empresas, e quase sempre sai ruim. Inchado, confuso, construído errado porque o cliente paga e todo pedido vira funcionalidade.
A filosofia do Basecamp e do Getting Real vai exatamente contra essa lógica. O livro defende software simples, enxuto, onde a primeira resposta a um pedido de cliente deve ser não. Deivison aplica esse mesmo princípio no Vivendo de SaaS: o criador de software é um curador, assim como o responsável por um museu que não tem espaço para todas as obras de arte e precisa escolher o que realmente entra.
Quem está animado com software personalizado?
Jason Fried aponta algo que ninguém na tecnologia costuma dizer em voz alta: a maioria das pessoas não gosta de computadores. As pessoas toleram computadores e os usam porque precisam, não porque acordam animadas para programar ou criar ferramentas.
Os entusiastas de software personalizado são, em grande parte, os próprios desenvolvedores de software. Eles já estavam curiosos antes da IA aparecer. Dar acesso a ferramentas de construção não transforma todo mundo em construtor. A analogia de Jason Fried é certeira: uma escavadeira poderosa não transforma o dono de uma casa em empreiteiro. A maioria das pessoas só quer o buraco cavado por outra pessoa.
Quem vai construir seu próprio software?
O vídeo traz exemplos concretos de quem não vai sair desenvolvendo sistemas internos:
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Conheça o Vivendo de SaaS →- A firma de contabilidade de três pessoas afogada em papelada quer que o trabalho seja feito, não um novo sistema para aprender e manter.
- A empresa de logística com 40 caminhões quer rotas otimizadas, não um projeto de software para gerenciar.
- O escritório de advocacia faturando por hora quer alavancagem no tempo, não mais um trabalho por cima do trabalho principal.
Deivison reconhece que, mesmo tendo o conhecimento técnico para desenvolver, ele mesmo foi atrás de seus próprios funcionários perguntando se precisavam de alguma ferramenta, mais pelo prazer de construir do que por necessidade real. Esse perfil não é o perfil da maioria dos negócios.
O peso da manutenção
Há um custo que costuma ser esquecido na empolgação de criar ferramentas internas: a manutenção. Deivison construiu várias ferramentinhas para uso interno na empresa dele, e agora precisa manter todas elas. Quando aparece um bug, ele precisa parar o que está fazendo para resolver. Como ele mesmo diz, criar um software é criar um filho: alguém vai sempre chegar dizendo que falta alguma coisa, que tem um bug, que poderia funcionar diferente.
Isso não quer dizer que não vale a pena construir. Mas significa que o custo não some depois que o software está pronto, ele começa ali.
Vale a pena substituir um SaaS por software próprio?
Deivison usa dois softwares externos na sua empresa e analisa se valeria desenvolver substitutos. O primeiro tem o problema de entregabilidade de e-mail: mesmo que soubesse como resolver tecnicamente, o custo de infraestrutura ficaria próximo do que já paga de mensalidade. O segundo seria tecnicamente possível de construir, mas é crítico: se algo der errado, a operação para. E manter o software próprio exigiria ou dedicação constante dele mesmo ou contratar um desenvolvedor, o que eliminaria a economia esperada.
A conclusão é que, mesmo sendo capaz de construir, vale a pena continuar pagando as mensalidades. A especialidade da empresa não é desenvolver e manter software, é o negócio em si.
IA vai acabar com o SaaS?
Jason Fried deixa claro que o Basecamp usa IA para construir software internamente. A questão não é ser contra a IA ou defender um artesanato manual de desenvolvimento. A questão é que agentes de IA vão encurtar muito software, tornando sistemas menores e mais simples, e não que cada empresa vai replicar tudo que usa hoje construindo por conta própria.
Alguns perfis fora da curva vão fundo e constroem sistemas personalizados reais, mas quase sempre são pessoas que já tinham inclinação para software antes. Para os demais, as pessoas têm vocações, gostos e interesses diferentes. Um advogado quer ser advogado. Um contador quer contabilidade. E está tudo bem.
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