bootstrapping casos de sucesso chess empreendedorismo posicionamento saas

Chess.com: 100 Milhões de Faturamento sem Investidor

👤 Deivison 📅 Fev 4, 2025 ⏱ 6 min de leitura

A história da Chess.com é uma das mais subestimadas no universo das startups. Uma plataforma de xadrez que acumulou 100 milhões de usuários ativos, chegou a 100 milhões de dólares em faturamento anual e passou 16 anos crescendo sem receber um centavo de investimento externo. Para Deivison Alves Elias, fundador do eGestor, essa história é um estudo de caso obrigatório sobre bootstrapping, posicionamento e a combinação de trabalho duro com doses importantes de sorte.

O que é bootstrapping e por que importa

Bootstrapping é crescer com o próprio capital — sem investidores, sem rodadas de captação, sem o drama das startups do Vale do Silício que vivem entre um aporte e o próximo. Deivison Alves Elias conhece bem esse caminho: o eGestor foi construído inteiramente com reinvestimento dos próprios lucros, sem capital externo, sem anjo, sem fundo.

No Vale do Silício, o modelo é diferente. As startups captam, gastam, captam de novo. Há um nível de adrenalina — e de risco — que nem todo empreendedor tem estômago para enfrentar. O bootstrapping oferece controle maior, crescimento mais lento, mas uma solidez que os ciclos de captação raramente garantem. E a Chess.com é a prova de que é possível chegar muito longe por esse caminho.

De escola de xadrez a e-commerce: as origens da Chess.com

O fundador da Chess.com não era um grande enxadrista — era um apaixonado pelo esporte. Começou montando uma pequena escola de xadrez nos Estados Unidos, contratando professores e vendendo aulas para colégios. Com o tempo, percebeu que seus alunos precisavam de tabuleiros, peças, relógios e outros acessórios — todos caros no mercado americano.

A solução foi importar da China. Ele montou um e-commerce especializado em produtos de xadrez lá pelo início dos anos 2000, quando a Amazon ainda vendia basicamente livros. O negócio funcionou — e gerou o caixa que financiaria os próximos passos.

A plataforma nasce como estratégia de captação de leads

O problema do e-commerce era o custo crescente de propaganda no Google. Concorrentes disputavam os mesmos termos, os lances subiam e a margem diminuía. A solução foi criar algo que gerasse tráfego orgânico: uma plataforma de xadrez online. A Chess.com nasceu, inicialmente, como uma estratégia de aquisição de leads para o e-commerce.

O domínio chess.com foi comprado por cerca de 56 mil dólares — um investimento corajoso, mas que se revelou decisivo. Ter um domínio exato de uma palavra-chave de alto volume, em inglês e com alcance global, é uma vantagem competitiva imensurável. Como Deivison Alves Elias coloca: é o equivalente a ter o domínio xadrez.com.br, só que em escala mundial.

O Vale do Silício rejeitou — e foi a melhor coisa que aconteceu

Quando o fundador tentou captar investimento, todos os VCs disseram não. Xadrez era visto como um nicho pequeno, sem potencial de escala para justificar uma aposta. Recusado pelos investidores, o caminho foi o bootstrapping. Eles montaram uma equipe distribuída globalmente, trabalhando em home office — prática que adotaram anos antes de a pandemia tornar isso comum, por volta de 2006.

O reinvestimento constante dos lucros financiou o crescimento. Sem a pressão de entregar retorno rápido para investidores, puderam construir no ritmo certo, sem comprometer a qualidade do produto ou a saúde financeira da empresa.

Quer viver de SaaS? Aprenda a criar e escalar produtos SaaS com quem já viveu isso na prática.

Conheça o Vivendo de SaaS →

A tecnologia como vantagem competitiva

Quando a Chess.com surgiu, os concorrentes eram softwares instalados ou applets Java — tecnologia pesada, com experiência de usuário ruim. O JavaScript já estava evoluindo, o Ajax (popularizado pelo Gmail em 2004) permitia interações sem recarregar a página, e a Chess.com aproveitou esse momento para oferecer uma experiência de xadrez online fluida e agradável.

Não foi planejado como vantagem estratégica — foi sorte de timing. Mas o fundador soube aproveitar a oportunidade que a tecnologia oferecia, entregando um produto melhor do que tudo que existia até então naquele espaço.

O papel da sorte — e como se colocar na posição certa para aproveitá-la

Deivison Alves Elias faz uma observação importante: a Chess.com teve muito trabalho, mas também muita sorte. O domínio certo, a tecnologia certa no momento certo, o boom do xadrez durante a pandemia, a série Gambito da Rainha na Netflix, Magnus Carlsen popularizando o esporte. Cada um desses fatores externos contribuiu para o crescimento exponencial da plataforma.

Mas — e esse é o ponto crucial — o fundador se colocou na posição de aproveitar essa sorte. Ele estava no mercado certo, com o produto certo, quando a onda chegou. Sorte não acontece no vácuo: ela encontra quem está trabalhando, construindo, persistindo.

O que o empreendedor de SaaS pode aprender com a Chess.com

A Chess.com não é uma startup de tecnologia convencional — é uma empresa de conteúdo, comunidade e produto construída pacientemente ao longo de 16 anos. Algumas lições se aplicam diretamente a quem está construindo um SaaS:

Primeiro: bootstrapping funciona. Não é o caminho mais rápido, mas é um caminho sólido. Crescer com o próprio caixa força disciplina financeira e foco no produto que realmente os clientes precisam.

Segundo: domínios e posicionamento importam. Ter um nome forte, uma URL memorável e uma identidade clara no mercado abre portas que dinheiro sozinho não consegue abrir.

Terceiro: nicho não é limitação. O Vale do Silício disse que xadrez era pequeno demais. A Chess.com provou que um nicho apaixonado, bem servido por um produto excelente, pode gerar centenas de milhões de dólares.

Quarto: se coloque no lugar certo para a sorte chegar. Construa o produto, cresça a base de usuários, esteja presente no mercado — e quando a onda vier, você vai estar posicionado para surfá-la.

Conclusão

A história da Chess.com é uma das mais inspiradoras do mundo do software como serviço justamente porque não segue o roteiro convencional. Sem investidores, sem escândalo, sem unicórnio forçado — apenas um produto amado por uma comunidade apaixonada, crescendo devagar e chegando muito longe. Para qualquer empreendedor que está construindo um SaaS com seus próprios recursos, a Chess.com é a prova de que esse caminho vale a pena percorrer. Para outra história impressionante de bootstrap, leia: Mailchimp: US$ 12 Bilhões sem Investidor.

Gostou do conteúdo? Descubra como construir negócios SaaS lucrativos com mentoria especializada.

Acessar o Vivendo de SaaS →