Em um mercado cada vez mais saturado, como fazer um software como serviço se destacar da concorrência? A resposta pode ser mais simples do que parece — e passa por um conceito clássico de marketing chamado posicionamento. Deivison Alves Elias, fundador do eGestor, traz uma reflexão direta e prática sobre como nichar, criar categorias e crescer onde há menos disputa.
O problema de entrar em mercados lotados
Imagine que você quer desenvolver um ERP — um software de gestão para micro e pequenas empresas. É um mercado grande, mas também um dos mais concorridos. Competir com players estabelecidos, que têm anos de base de clientes, marca reconhecida e muito mais recursos, é possível, mas extremamente difícil e caro. Entrar nesse segmento do zero hoje exige muito mais do que exigia há 15 anos, quando Deivison Alves Elias lançou o eGestor.
Então o que fazer? A resposta está em nichar — em encontrar um recorte específico do mercado onde a concorrência é menor e onde você pode se tornar referência com muito menos esforço.
A estratégia do nicho: misture o que você conhece com o que o mercado precisa
O exemplo é simples e poderoso: se o seu pai é mecânico e você cresceu nesse ambiente, você já conhece o vocabulário, os problemas, as necessidades específicas de uma oficina mecânica. Ao invés de criar mais um ERP genérico, crie um software de gestão para mecânicas. A concorrência é bem menor. O público é mais fácil de alcançar. E você tem um conhecimento de domínio que a maioria dos concorrentes não tem.
O mesmo vale para lojas de instrumentos musicais, clínicas de estética, pet shops, estofadores — qualquer nicho onde você tenha conexão e conhecimento. Esse ponto de partida reduz a fricção do desenvolvimento, facilita o marketing e aumenta as chances de retenção.
O conceito de posicionamento de marca
Por trás dessa estratégia está um conceito clássico do marketing: o posicionamento, desenvolvido por Al Ries. A ideia central é que, na mente do consumidor, só existe espaço para um ou dois nomes por categoria. Quem pensa em rei do rock pensa em Elvis Presley. Quem pensa em rei do pop pensa em Michael Jackson. Quem pensa em carro seguro pensa em Volvo.
Esses nomes não chegaram lá por acaso — houve um trabalho deliberado de posicionamento de marca para associar cada um a um atributo único. E o ponto crucial é este: Michael Jackson não tentou ser o rei do rock. Ele criou uma nova categoria — o rei do pop — e dominou essa categoria.
Para o mercado de SaaS, a lição é a mesma: ao invés de tentar ser o melhor ERP do mercado, crie uma nova categoria — o melhor ERP para mecânicas, ou o melhor sistema para salões de beleza — e domine esse espaço.
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A IBM criou o computador comercial e por muito tempo era sinônimo da categoria. A Apple, ao invés de tentar bater a IBM no segmento corporativo, criou o computador pessoal — uma nova categoria — e dominou esse mercado. A Volvo escolheu segurança como seu atributo central e, até hoje, quando as pessoas pensam em carro seguro, pensam em Volvo. A Pepsi, em vez de disputar diretamente com a Coca-Cola em todas as frentes, se posicionou como o refrigerante da geração jovem — e quase empatou com a líder no mercado americano usando esse único conceito.
Em todos esses casos, o movimento estratégico foi o mesmo: identificar uma categoria pouco ocupada ou criar uma nova, e então trabalhar para ser o número um nessa categoria específica.
O eGestor e o posicionamento de software online
Deivison Alves Elias aplica esse conceito à própria trajetória. Quando o eGestor foi lançado, o diferencial não era ser mais um ERP — era ser um ERP totalmente online. Em 2009, isso era raro. Os concorrentes eram softwares instalados. Havia resistência e desconfiança, mas havia também um espaço de categoria aberto.
Aquela posição como software de gestão totalmente online gerou crescimento por anos. O fundador reconhece que, com mais conhecimento sobre posicionamento de marca e mais recursos na época, poderia ter ido ainda mais longe. Mas o princípio funcionou — e segue funcionando.
Nicho não significa pequeno
Um equívoco comum é achar que nichar significa limitar o crescimento. Na prática, acontece o oposto. Um software nichado tem menos concorrentes, clientes mais satisfeitos, menor custo de aquisição e maior taxa de retenção. Você atende melhor porque atende um público específico que você conhece profundamente.
Deivison Alves Elias vive isso no próprio canal Vivendo de SaaS. Em português, falando especificamente sobre gestão de empresas de software como serviço, ele se destaca justamente porque poucos ocupam esse espaço. O nicho cria autoridade. A autoridade gera confiança. A confiança gera clientes.
Como aplicar isso ao seu SaaS
A receita prática é simples: pense em áreas onde você tem experiência ou conexão. Pesquise se há software específico para aquele nicho — provavelmente há menos do que você imagina. Valide com potenciais clientes. Construa um produto enxuto, focado nas dores reais daquele mercado. E posicione sua comunicação em torno de um atributo claro e memorável.
Não tente agradar a todo mundo. Um software que resolve perfeitamente o problema de um tipo específico de empresa vale muito mais — para o cliente e para o seu negócio — do que um software genérico que resolve parcialmente os problemas de todo mundo.
Conclusão
Destacar-se no mercado de SaaS não exige ser o maior ou o mais completo. Exige ser o mais relevante para um público específico. O posicionamento de marca, combinado com uma estratégia de nicho bem executada, pode ser o diferencial que transforma um projeto pequeno em referência absoluta de mercado. A pergunta que você deve se fazer hoje é: qual categoria você pode criar — ou dominar — que seus concorrentes ainda não ocuparam?
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