Você não precisa inventar algo que nunca existiu para ganhar dinheiro com software. Na verdade, copiar softwares já estabelecidos — e vendê-los em português para o mercado brasileiro — é uma das estratégias mais inteligentes para quem quer começar no mundo do SaaS. Deivison Alves Elias apresenta cinco ferramentas internacionais com mercado comprovado e ausência de equivalentes sólidos em português.
Por que copiar é uma estratégia legítima
Existe um mito no empreendedorismo de software: a ideia tem que ser totalmente original. A realidade é diferente. A internet comercial existe no Brasil desde 1996. Se nenhuma empresa criou aquela ideia incrível que você teve, é mais provável que alguém já tentou e não funcionou do que que você é o único gênio que a enxergou. Copiar um software que já tem clientes, que já foi validado pelo mercado, é uma decisão muito mais segura — você sabe que existe demanda. O que você faz é adaptar, simplificar e vender para quem não lê inglês ou prefere uma solução local.
1. Basecamp — gestão de projetos simples
O Basecamp é criado pela mesma equipe que desenvolveu o Ruby on Rails e escreveu o livro Getting Real — uma leitura obrigatória sobre filosofia de produto SaaS. O software é uma ferramenta de gerenciamento de projetos com uma abordagem deliberadamente simples: sem excesso de funcionalidades, sem gamificação, focado em comunicação e organização de tarefas.
Hoje o Basecamp não tem versão em português. Existe um mercado real de equipes e agências brasileiras que precisam exatamente do que ele oferece — e que poderiam usar um equivalente local. Antes de desenvolver, leia o Getting Real (disponível em português no site deles em basecamp.com/gettingreal) para entender a filosofia que tornou o produto tão bem avaliado.
2. Buttondown — newsletters simples
O Buttondown é um software de gerenciamento de newsletters que foi desenvolvido seguindo exatamente a filosofia do Getting Real. Enquanto o Mailchimp oferece dezenas de opções de formatação, automações complexas e relatórios avançados, o Buttondown faz o essencial muito bem: escrever e enviar uma newsletter de texto para uma lista de assinantes.
Esse nicho de newsletter simples é exatamente o que muitos criadores de conteúdo e pequenas empresas no Brasil precisam. Uma versão em português, com cobrança em reais, preencheria uma lacuna real no mercado. O próprio Deivison manteve uma newsletter por anos (Notícias Linux, nos anos 2000) e sabe o quanto uma ferramenta assim faria falta à época.
3. Calendly — agendamento com cobrança em reais
O Calendly é uma das ferramentas mais usadas no mundo para agendamento de reuniões, consultorias e mentorias. O usuário compartilha um link, o cliente escolhe um horário disponível na agenda e pronto — sem trocas de e-mail para alinhar horário. O problema para o mercado brasileiro é claro: a integração de pagamento do Calendly aceita apenas dólares via Stripe. Quem quer cobrar em reais precisa de um workaround manual.
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Conheça o Vivendo de SaaS →Um Calendly brasileiro — com integração a meios de pagamento nacionais como Pix, boleto e cartões nacionais — resolveria uma dor real de consultores, coaches, médicos e qualquer profissional que vende horas de trabalho. O plano pago do Calendly começa em US$ 10 por mês, o que mostra que o modelo de monetização por assinatura funciona nesse nicho.
4. Trello — kanban minimalista
O Trello é um dos softwares mais conhecidos do mundo para organização visual de tarefas no formato kanban: colunas com cartões que se movem conforme o status avança. É simples, visual e intuitivo. Um micro-SaaS que imite o Trello em português, com uma proposta mais simples e talvez focada em um segmento específico (equipes de pequenas empresas, freelancers, agências), pode muito bem capturar uma fatia desse mercado.
Já existem alternativas no mercado, mas isso não é razão para desistir — é sinal de que existe demanda. Uma versão com preço acessível em reais, suporte em português e foco em simplicidade pode se diferenciar facilmente das opções disponíveis.
5. Zendesk — suporte ao cliente que funciona de verdade
Deivison Alves Elias tem uma opinião clara sobre o Zendesk: é caro e não é bom. O eGestor chegou a adotar o Zendesk após anos usando um sistema interno, e a decepção foi tanta que acabaram desenvolvendo uma ferramenta própria. Os planos do Zendesk começam em R$ 135 por agente por mês — e os recursos mais úteis ficam nos planos superiores.
Existe um espaço enorme para um software de suporte ao cliente que seja simples, bem feito e com preço acessível para o mercado brasileiro. Um software de help desk focado em pequenas e médias empresas, com interface limpa e integrações com WhatsApp e e-mail, poderia capturar uma fatia significativa desse mercado mal atendido.
Como começar
O caminho não é copiar tudo de uma vez e tentar igualar o software original no lançamento. A estratégia é: escolher um nicho específico, construir uma versão simplificada com as funcionalidades essenciais, validar com os primeiros clientes e ir incrementando conforme a receita permite. Use a barreira do idioma e o suporte em português como diferenciais — muitos clientes preferem uma solução local mesmo que tecnicamente inferior, simplesmente pela facilidade de comunicação.
A grande lição aqui é que mercado validado vale mais do que ideia original. Se você sabe que milhões de pessoas já pagam por uma categoria de software, o risco do seu negócio cai drasticamente.
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