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Ninguém Mais Precisa Olhar Código: As Desculpas dos Programadores Contra a IA

👤 Deivison 📅 Ago 22, 2026 ⏱ 6 min de leitura

Deivison programa desde 1994 e sabe que essa frase vai incomodar quem passou anos estudando para escrever código: ele defende que você não precisa mais ficar olhando o código do seu software. É um debate que ele trava até dentro da própria empresa, com o sócio que cuida do desenvolvimento do eGestor.

Por que a linguagem de programação tende a desaparecer

O argumento de Deivison começa pela origem: linguagem de programação existe porque, no passado, não havia outro jeito de se comunicar com uma máquina. Um texto escrito numa sintaxe padronizada era compilado para linguagem de máquina. Agora que a IA entende linguagem natural, ele acredita que essa camada intermediária tende a ficar cada vez menos necessária: você descreve o que quer e o código sai direto, sem precisar decidir se vai ser escrito em PHP, Python, Java ou JavaScript.

Ele é claro que isso não significa que vai acontecer amanhã, nem que todo mundo vai virar dono de empresa de software. Mas significa que mais gente vai construir suas próprias ferramentas, algo que ele já mostrou acontecendo dentro da própria empresa em vídeos anteriores, quando cancelou SaaS que a empresa pagava depois de substituí-los por ferramentas internas feitas com IA.

Como ele desenvolve hoje: terminal, não editor

Na prática, Deivison abre o terminal, entra no diretório do projeto, roda o comando de inicialização para o Claude Code entender o contexto geral e descreve o que quer: tipo de software, banco de dados, linguagem. Ele não fica olhando o código gerado, não usa Antigravity, não usa Cursor. A conversa no terminal substitui o editor. No eGestor, cuidado diretamente pelo sócio dele, essa mudança ainda não aconteceu da mesma forma, o sócio está caminhando para lá mas ainda é resistente.

Deivison já passou por uma virada parecida antes: começou programando em Clipper, linguagem de tela preta do MS-DOS, no estilo dos softwares de locadora de vídeo. Quando chegaram os anos 2000, boa parte do que sabia parecia ter perdido valor, e ele teve que reaprender. A conclusão que tira disso: quem trabalha com tecnologia vai ter que estudar a vida inteira, não existe conhecimento que fique parado para sempre.

As desculpas que ele mais ouve dos programadores, e a resposta para cada uma

"O código da IA não presta"

Deivison reconhece que isso já foi verdade para ele: há cerca de dois anos, desenvolvendo com IA, via problemas reais, como funções JavaScript duplicadas toda vez que pedia para escutar um botão, exigindo correção manual. Mas isso não acontece mais nesse nível. A recomendação dele para quem não testa desenvolvimento com IA há mais de um ano é simples: instalar o Claude Code, no CLI (não a versão desktop), e testar de novo.

"Código gerado por IA nunca vai ficar perfeito"

Para ele, código escrito à mão também nunca foi perfeito: sempre existia prazo apertado degradando a qualidade ao longo do desenvolvimento. Com IA, sente que o resultado fica mais organizado, em parte porque ele planeja o software antes de começar. O critério que usa: se o código roda em produção sem quebrar, está bom o suficiente.

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"Vai dar problema em produção"

Aqui ele concorda: pode dar problema sim, se for direto para produção sem testar. A solução não é ficar lendo cada linha de código, é criar testes automatizados que validam login, cadastro e integridade dos dados no banco. Isso pega mais erro do que olhar código na tela.

"O código de IA é mais inseguro"

Deivison roda o próprio Claude para analisar a segurança de todos os softwares da empresa e sempre encontra algum problema, o que ele considera normal, já que IA está inclusive achando falhas de segurança antigas no próprio Linux. A recomendação é usar mais de uma IA para revisão cruzada (por exemplo, uma ferramenta como Codex analisando o que o Claude produziu), criando um processo de verificação em vez de confiar só na leitura visual do código.

"Eu gosto de ver o que está acontecendo"

Ele chama isso de sensação de controle, não de controle real, e usa o termo "preguiça ativa": ficar fazendo algo que dá a impressão de estar cuidando do problema (olhar código passar na tela) em vez de investir tempo no que realmente reduz risco, que são testes e processos.

"E se a inteligência artificial acabar?"

Deivison já viveu a bolha da internet e não vê isso como motivo para não investir em IA hoje. Na visão dele, uma eventual bolha pode encarecer o acesso a modelos como o Claude, mas não vai fazer a tecnologia desaparecer, inclusive porque já existem alternativas de IA open source.

"A IA pode estragar meu código"

Para isso existe o Git: se algo sair errado, é só voltar para um estado anterior e testar outro caminho. Ele recomenda até pedir para a própria IA cuidar dos commits e do envio para o GitHub como backup.

E os frameworks?

Deivison também questiona a necessidade de frameworks multiplataforma, como React Native, quando a IA consegue desenvolver a versão nativa de um app diretamente para cada sistema operacional, iOS e Android, sem depender de uma camada intermediária. Ele cita o desenvolvedor Peter Levels como alguém que já defende essa mesma linha: em vez de aprender um framework para depois compilar para cada plataforma, desenvolver direto para cada uma. Segundo ele, o tema rende um vídeo à parte.

E a manutenção lá na frente?

Sobre quem tem medo de não conseguir manter, no futuro, um software feito inteiramente com IA: Deivison diz para usar a própria IA para essa manutenção também. Ele já testou pedir para o Claude ler softwares antigos e bagunçados que a equipe considerava difíceis demais de entender, movendo o projeto para uma máquina fora de produção antes. O resultado, segundo ele, surpreendeu: a IA conseguiu entender e até melhorar código que os próprios desenvolvedores da empresa julgavam complexo demais.

Deivison termina deixando claro que isso é opinião, não verdade absoluta, e que seus próprios programadores ainda olham código, sim, embora ele brinque que não quer mais editor instalado: se precisar checar algo pontual no terminal, usa o Vim mesmo.

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