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O IPO da Figma e o Fim do SaaS que Não Existe

👤 Deivison 📅 Ago 4, 2025 ⏱ 5 min de leitura

Por Deivison Alves Elias

Se você acompanha o mundo de tecnologia e startups, provavelmente ficou de queixo caído com o que aconteceu com a Figma em 2025. O IPO da empresa foi um dos eventos mais comentados no universo SaaS — e não é para menos. A história começa dois anos antes, quando a Adobe tentou adquirir a Figma por nada menos que 20 bilhões de dólares.

A Tentativa de Aquisição pela Adobe

Em 15 de setembro de 2022, a Adobe anunciou um acordo para adquirir a Figma por 20 bilhões de dólares. A Figma é uma plataforma de design colaborativo que funciona 100% no navegador — algo como um Google Docs do design, onde várias pessoas conseguem mexer no mesmo arquivo em tempo real. Ela é usada para criar telas de aplicativos, interfaces de sites e muito mais.

O problema: reguladores da União Europeia e do Reino Unido entenderam que a junção entre Adobe e Figma criaria um monopólio no mercado de software de design. Em 18 de dezembro de 2023, a Adobe desistiu do negócio. Por ter desistido, a Adobe pagou 1 bilhão de dólares de multa à Figma. A empresa recebeu um bilhão de dólares sem vender absolutamente nada.

O IPO que Surpreendeu o Mercado

Após a queda do acordo com a Adobe, a Figma decidiu abrir o capital na bolsa americana. Em abril de 2025, a empresa começou a registrar os documentos para o IPO. As ações foram lançadas inicialmente a 33 dólares cada, com 36 milhões de ações emitidas, levantando aproximadamente 1,2 bilhão de dólares.

Na abertura, as ações já estavam em 85 dólares. Em pouco tempo, chegaram a 114 dólares. A Figma, que ia ser vendida por 20 bilhões, foi avaliada no mercado em 44 bilhões, chegando a quase 68 bilhões em dias seguintes. A Adobe — fundada em 1982 — valia 152 bilhões. A Figma, fundada em 2012, já representa praticamente metade do valor da Adobe.

O Que Isso Tem a Ver com Inteligência Artificial?

No Twitter, toda semana aparece alguma ferramenta sendo anunciada como o matador do Figma. Lovable, Bolt, e várias outras plataformas baseadas em inteligência artificial prometem substituir fluxos de trabalho de design. E mesmo assim, a Figma abria seu capital e suas ações disparavam.

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O mercado financeiro estava dizendo algo que muitos empreendedores brasileiros ainda não entenderam: software como serviço de qualidade continua extremamente valioso, mesmo na era da inteligência artificial. Ferramentas consolidadas, com base de usuários fiel e modelo de receita recorrente, não são facilmente substituídas por novidades tecnológicas.

O Medo da IA Está Paralisando Empreendedores

É comum encontrar desenvolvedores e empreendedores brasileiros hesitando em construir seu software como serviço por medo da inteligência artificial. O argumento costuma ser: para que vou criar um produto se a IA vai fazer tudo automaticamente? Mas o IPO da Figma mostra exatamente o contrário.

A inteligência artificial não eliminou o Figma — ela pode até complementar ferramentas existentes. O mercado continua valorizando empresas que resolvem problemas reais de forma consistente, que mantêm uma base de clientes engajada e que possuem um modelo de negócios sólido baseado em receita recorrente. Isso é o coração do SaaS, e isso não mudou.

Um Sinal de Renascimento para o Mercado SaaS

Desde a pandemia, o mercado de SaaS passou por um período de arrefecimento. As valuations caíram, o dinheiro ficou mais escasso, e o entusiasmo diminuiu. Mas o sucesso do IPO da Figma pode ser o sinal de que esse ciclo está virando.

No Brasil, durante a pandemia, muitas empresas de software como serviço foram adquiridas por valores expressivos — Bling, Vend, Resultados Digitais e várias outras atraíram investidores e compradores. Esse movimento pode voltar, e a Figma é uma evidência concreta de que o apetite por boas empresas de SaaS ainda existe e é grande.

A Mensagem para Quem Está Começando

Se você ainda não começou a construir o seu software como serviço, o momento é agora. O mercado está mandando sinais claros: empresas que resolvem problemas reais continuam sendo valorizadas. A inteligência artificial não é o fim do SaaS — pode ser, na verdade, uma alavanca para quem souber usá-la a favor do próprio produto.

Não espere o cenário perfeito. Não espere a tecnologia estabilizar. O mundo sempre vai mudar, e quem age enquanto os outros esperam é quem aproveita as melhores oportunidades. A Figma foi fundada em 2012, num momento em que muita gente duvidava que o design poderia ser feito 100% no navegador. Olha onde ela está hoje.

Construa o seu produto. Encontre seus clientes. Gere receita recorrente. O mercado, como o IPO da Figma provou, continua recompensando quem faz isso bem.

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