Existem muitas formas de ganhar dinheiro com software, mas nem todas oferecem a mesma combinação de escala, previsibilidade e valor de longo prazo. Deivison Alves Elias analisa quatro modelos principais — software de licença perpétua (on-premises), fábrica de software, apps e SaaS — com vantagens, desvantagens e tendências de cada um.
1. Software de licença perpétua (on-premises)
É o modelo mais antigo e mais conhecido. O cliente compra uma licença, instala o software no próprio servidor e tem acesso indefinido. A Adobe funcionou assim até por volta de 2010 — o Photoshop era vendido por um valor alto de entrada, sem mensalidade. A TOTVS ainda trabalha com esse modelo em paralelo ao SaaS.
As principais fontes de receita são: venda de licença com valor elevado de entrada, taxa de manutenção anual (geralmente 10% a 20% do valor da licença), serviços de implantação (que podem gerar tanto quanto a licença em si), treinamentos e customizações específicas. Ernesto Haberkorn, fundador da TOTVS, costumava dizer que a implantação era uma das maiores fontes de receita nos primeiros anos da empresa.
Vantagens: receita alta de entrada, boa aceitação em grandes empresas e órgãos públicos, funciona sem internet.
Desvantagens: não escala como SaaS, cada venda exige negociação pesada, atualizações dependem de instalação manual, receita recorrente limitada.
Tendência atual: muitas empresas estão migrando do on-premises para SaaS — a própria Adobe fez isso e enfrentou queda temporária nas ações porque os investidores não entenderam a mudança de modelo. No longo prazo, o SaaS ganhou.
2. Fábrica de software
Uma empresa ou equipe desenvolve sistemas sob demanda para clientes — do zero ou adaptando algo existente. Funciona como consultoria de desenvolvimento. É o sonho de muitos programadores iniciantes, mas esconde armadilhas sérias.
As fontes de receita incluem projetos fechados (valor total pelo desenvolvimento), contratos de horas e manutenção pós-entrega. O problema estrutural é a escalabilidade: quanto mais projetos você fecha, mais programadores precisa. Se um projeto termina e o próximo demora a aparecer, você tem profissionais ociosos — e custo fixo sem retorno. O cliente que muda de ideia no meio do projeto e pede "só mais um botão" (que nunca é só um botão) é outro desafio recorrente.
Vantagens: flexibilidade para atender qualquer setor, alto valor por contrato, porta de entrada para relacionamentos e futuros produtos próprios.
Desvantagens: não escala, depende de mão de obra qualificada, risco de escopo descontrolado, receita instável.
Quer viver de SaaS? Aprenda a criar e escalar produtos SaaS com quem já viveu isso na prática.
Conheça o Vivendo de SaaS →Tendência atual: muitas fábricas estão criando sistemas sob demanda e depois transformando-os em produtos SaaS — usando o dinheiro da fábrica para financiar o desenvolvimento de software escalável. Se você está nesse modelo, já inclua em contrato o direito de reutilizar o código para lançar seu próprio produto no futuro.
3. Apps (mobile e desktop)
Aplicativos para iOS, Android ou desktop distribuídos via App Store, Google Play ou Microsoft Store. O diferencial teórico é o alcance massivo — qualquer pessoa do mundo pode baixar. As fontes de receita incluem: compra única, in-app purchases, assinaturas recorrentes e publicidade.
Deivison Alves Elias desenvolveu um app de tabuada usando FlutterFlow para aprender a plataforma — e teve downloads da África, Grécia e Índia. A experiência mostrou o potencial de alcance global, mas também os desafios: concorrência altíssima (milhares de apps lançados por dia), dependência das regras das lojas, necessidade de atualizações periódicas apenas para manter visibilidade nos rankings, e a dificuldade de viralizar para públicos mais velhos.
Vantagens: escalabilidade enorme se o app viralizar, acesso ao mercado global, assinaturas facilitadas pela loja.
Desvantagens: concorrência brutal, receita instável se depender de anúncios, cancelamento fácil sem possibilidade de retenção ativa, modelo de marketplace cria problema de dois públicos simultâneos.
4. Venda de APIs
Criar e comercializar interfaces de programação que oferecem funcionalidades específicas para outros softwares. É o modelo B2B técnico mais escalável que existe — você vende "blocos de tecnologia" que se integram a sistemas de terceiros. Exemplos: API de nota fiscal eletrônica, API de envio de SMS, API de consulta de CNPJ. O modelo de cobrança típico é por volume de chamadas (pay-as-you-go), em faixas progressivas.
5. Software como Serviço (SaaS) — o modelo preferido
O SaaS combina as melhores características dos outros modelos sem as principais desvantagens: tem recorrência previsível, escala sem aumentar custos proporcionalmente, e gera equity (pode ser vendido como ativo). O cliente paga uma mensalidade para usar o software hospedado e mantido pelo fornecedor — sem instalação, sem preocupação com servidores, sem atualizações manuais.
O eGestor, software de gestão para micro e pequenas empresas criado por Deivison Alves Elias, é um exemplo prático: começou em 2009 com R$ 300 por mês em anúncios e foi crescendo gradualmente pela força da recorrência. Hoje opera com equipe própria de vendas, suporte e desenvolvimento em um prédio dedicado.
Qual modelo escolher?
Cada modelo tem seu espaço, mas o SaaS oferece a melhor combinação de previsibilidade, escalabilidade e geração de valor no longo prazo. Se você está em uma fábrica de software, use o caixa gerado para construir gradualmente seu próprio produto SaaS. Se está pensando em apps, avalie cuidadosamente o nicho e o modelo de monetização antes de investir em desenvolvimento para lojas. E se está vendendo licenças perpétuas, observe como o mercado está migrando para assinaturas — e planeje essa transição antes que ela seja forçada.
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