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O seu SaaS é pior do que imagina? O que os clientes realmente valorizam

👤 Deivison 📅 Jun 5, 2025 ⏱ 6 min de leitura

Neste vídeo, Deivison Alves Elias, do canal Vivendo de SaaS, analisa uma palestra do especialista Patrick Campbell apresentada na SaaStr Annual Experience de 2018. O conteúdo, apesar de alguns anos, continua surpreendentemente atual — e desconfortável para a maioria dos empresários de software como serviço.

Patrick Campbell e o Profitwell

Patrick Campbell foi CEO do Profitwell, empresa especializada em ajudar negócios de recorrência — especialmente SaaS — a melhorar sua precificação e aumentar receita. A empresa acumulou dados de milhares de clientes ao redor do mundo por meio de um BI gratuito conectado a ferramentas de cobrança como Stripe, além de realizar pesquisas diretas com usuários finais.

Esses dados permitiram comparações inéditas entre a percepção dos criadores de software e a percepção dos seus clientes. Os resultados foram reveladores.

O framework do café: o que as pessoas pagam a mais?

Para explicar como os clientes avaliam funcionalidades, Campbell usou uma analogia simples com o café. Imagine as características de uma xícara de café e como as pessoas as valorizam:

  • Sabor: as pessoas querem muito e estão dispostas a pagar significativamente mais por um sabor superior. Alta percepção de valor, alta disposição de pagamento.
  • Temperatura: as pessoas querem que o café esteja na temperatura certa, mas não estão dispostas a pagar mais por isso. É uma expectativa básica — tem que ter, mas não gera valor adicional.
  • País de origem: um nicho específico (os entusiastas do café) valoriza muito e pagaria mais, mas a maioria não se importa. Alto valor para poucos, baixo apelo geral.

Transportando essa lógica para software, surgem quatro categorias de funcionalidades:

  • Diferencial competitivo: os clientes querem muito e pagam mais por isso.
  • Funcionalidade padrão: tem que ter, mas não gera disposição de pagar a mais.
  • Add-on: poucos clientes querem, mas quem quer paga muito por isso.
  • Lixo: pouco valor percebido e nenhuma disposição de pagamento adicional.

O que os desenvolvedores acham que estão construindo

Campbell fez a mesma pergunta para dois grupos: desenvolvedores e donos de SaaS de um lado, e clientes desses produtos do outro. A diferença entre as respostas é o dado mais chocante do vídeo.

Quando perguntados sobre onde as funcionalidades que desenvolveram se encaixam no framework, a esmagadora maioria dos desenvolvedores acredita que está no quadrante de diferencial competitivo — funcionalidades que os clientes querem muito e estão dispostos a pagar mais. Quase nenhum respondeu "lixo".

Essa confiança é compreensível. Quem constrói algo está próximo do produto, investe tempo e energia, acredita no que está fazendo. É natural superestimar o valor do próprio trabalho.

O que os clientes realmente pensam

A perspectiva dos clientes é radicalmente diferente. Segundo a pesquisa do Profitwell:

  • Muitas funcionalidades que os desenvolvedores classificam como diferenciais competitivos, os clientes colocam como lixo — sem valor percebido e sem disposição de pagar.
  • A maioria das funcionalidades avaliadas pelos clientes cai na categoria de "funcionalidade padrão": tem que ter, mas não é motivo para pagar mais nem para escolher um produto em vez do outro.
  • A categoria de add-on (alto valor para um nicho disposto a pagar) é muito menor do que os desenvolvedores imaginam.

A conclusão brutal da pesquisa: os clientes acham que os softwares como serviço, em geral, não fazem mais do que a obrigação. O produto típico de SaaS é percebido como mediano — nem diferencial nem inútil, apenas básico.

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Por que isso importa além do produto

Deivison Alves Elias destaca que esse dado tem implicações que vão muito além do roadmap de produto. Ele impacta diretamente:

Precificação

Se seus clientes classificam a maioria das suas funcionalidades como "tem que ter" (funcionalidade padrão), eles não estão dispostos a pagar mais por upgrades ou por planos premium. Você pode estar deixando dinheiro na mesa por não desenvolver os diferenciais reais que gerariam disposição de pagamento.

Product-Led Growth

Muitos fundadores acreditam que têm um produto tão bom que vai viralizar por si só — a lógica do product-led growth. Mas se os clientes percebem o produto como mediano, essa expectativa raramente se concretiza. Crescimento orgânico por boca a boca exige um produto que genuinamente supere expectativas.

Retenção e churn

Clientes que não percebem valor excepcional no produto são naturalmente mais propensos a cancelar quando aparecem alternativas ou quando o orçamento aperta. Funcionalidades percebidas como básicas não criam lealdade.

Como reverter esse cenário: conversa com o cliente

A solução apontada por Patrick Campbell — e reforçada por Deivison Alves Elias — é simples de enunciar, mas difícil de executar consistentemente: conversar com os clientes de verdade.

Não pesquisas superficiais de NPS. Conversas reais, em profundidade, para entender o que o cliente realmente precisa, quais problemas ele está tentando resolver, o que ele valoriza no produto atual e o que ele sente falta. Só assim é possível identificar onde estão os verdadeiros diferenciais competitivos — aqueles que os clientes perceberiam como superiores e pelos quais pagariam mais.

Deivison Alves Elias reconhece que mesmo quem sabe disso, como ele próprio, frequentemente cai na armadilha de priorizar a aquisição de novos clientes em vez de monetizar melhor os clientes existentes. Aumentar a receita por cliente já conquistado é, segundo os dados do Profitwell, muito mais lucrativo do que trazer novos clientes — mas exige entender profundamente o que o cliente valoriza.

Conclusão: humildade sobre o produto é uma vantagem competitiva

A mensagem central deste vídeo é desconfortável, mas necessária: a maioria dos empresários de SaaS superestima a qualidade percebida do seu produto. Aceitar essa realidade não é pessimismo — é o primeiro passo para construir algo que os clientes percebam como realmente excepcional.

Assista à palestra completa de Patrick Campbell (link na descrição do vídeo original), converse com seus clientes e use o framework do quadrante para avaliar honestamente onde cada funcionalidade do seu produto realmente se encaixa na percepção de quem paga por ele.

Conteúdo produzido por Deivison Alves Elias para o canal Vivendo de SaaS.

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