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Usei IA para Matar os SaaS que Eu Pagava: Por Que o Software Virou Commodity

👤 Deivison 📅 Ago 18, 2026 ⏱ 5 min de leitura

Deivison sumiu quatro meses do canal Vivendo de SaaS e, quando voltou, confessou algo que soa irônico para quem toca um canal sobre software como serviço: ele passou esse tempo "matando" SaaS que pagava mensalidade. Não parou de trabalhar, pelo contrário: ficou trancado estudando e usando o Claude de ponta a ponta dentro do eGestor, o SaaS de gestão que ele fundou em 2009, hoje com mais de 30 mil clientes e faturamento de oito dígitos por ano.

O que ele fez em quatro meses trancado com o Claude

Deivison virou o Claude "do avesso" dentro da empresa, garimpando todo dado que já existia internamente para transformar em ferramenta de análise. O resultado foi uma sequência de projetos internos:

  • Nota automática para os vendedores. Ele pega as transcrições das ligações e reuniões (telefone e Google Meet) dos vendedores e SDRs e passa por uma análise de IA que avalia se a conversa segue o framework SPIN Selling de venda consultiva, gerando uma nota que vai direto para os coordenadores de vendas.
  • Análise de VoIP. Quantas ligações realmente acontecem, quantas passam de dois minutos, qual caminho de VoIP converte mais atendimento. Com esses números ele consegue cobrar melhorias diretamente do sócio responsável pela operação de telefonia.
  • Buscador de leads no Google Maps. Usando a searchapi.io para raspar o Google Maps, ele monta listas de leads por região para o time de SDR trabalhar em outbound (ligação fria).
  • Um BI interno construído com o Claude. Cohort por produto (a empresa tem produtos com um ano e produtos com quatro ou cinco meses de vida), cálculo de LTV puxado direto do sistema de cobrança próprio, análise financeira, qualidade e conversão dos anúncios pagos e SEO, esse último conectado à ferramenta SEMrush.

O saldo prático: pelo menos dois SaaS que a empresa pagava foram substituídos por ferramentas internas e cancelados com os fornecedores, e um terceiro está prestes a ser cancelado também.

O moat não é mais o código, é a distribuição

Deivison defende uma tese que ele já vinha repetindo desde 2019, mas que a IA deixou mais evidente: o moat (o fosso que protege o castelo, ou seja, a vantagem competitiva real de um negócio) nunca foi o código. Para softwares de gestão e cadastro, mais simples que produtos de alta tecnologia, o diferencial nunca esteve na tecnologia em si.

Ele observa o Twitter (X) cheio de gente lançando seu próprio micro SaaS de fim de semana, empolgada achando que vai ficar rica só porque terminou um produto. Na visão dele, isso é hipnose: o produto não é o grande diferencial, é a distribuição. Se um único fundador, sozinho, com IA, consegue construir a ferramenta que ele usava e cancelar a assinatura, o software virou commodity, e o valor foi para onde a IA não ajuda diretamente: trazer cliente novo e vender mais para quem já é cliente.

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Ganhar mais por cliente em vez de só correr atrás de leads novos

Uma parte do foco de Deivison hoje é vender mais para a base que ele já tem, não só captar clientes novos. Como ele já tem carteira e já pagou o custo de aquisição desses clientes, a pergunta que ele se faz todo dia é: como ganhar mais por cliente? A empresa já vende três ou quatro produtos internos para a mesma base de leads, sempre evitando ter que gerar um tipo de lead totalmente novo para cada produto.

É por isso que ele decidiu não transformar a ferramenta interna que substituiu um dos SaaS cancelados em um produto à venda: o lead que precisaria gerar para vender aquilo não tem nada a ver com o lead que ele já capta hoje. Preferiu manter o ganho de eficiência dentro de casa.

O gargalo virou gente, não código

Um dos pontos mais diretos do vídeo é contra o sonho recorrente de quem segue o canal: montar uma empresa de uma pessoa só, crescer sozinho e nunca contratar ninguém. Deivison diz que, na prática dele, é o contrário: o gargalo hoje é gente. Com mais leads sendo gerados e mais frentes de venda rodando graças à IA, ele está precisando contratar mais pessoas, não menos.

Ele também é direto sobre atendimento automatizado: não gosta da ideia de colocar um chatbot para responder tudo no lugar de uma pessoa. Numa empresa bootstrap, sem caixa para desperdiçar lead, cada contato importa, e ele prefere torcer a toalha até a última gota com atendimento humano em vez de terceirizar a conversa para um robô.

Lucro agora, valuation depois

A filosofia de fundo continua a mesma de sempre no canal: bootstrap, sem investidor externo, crescendo só com o dinheiro que vem dos próprios clientes. Deivison não está preocupado em perseguir valuation, o foco é lucratividade agora, no curto prazo, para pagar as contas. Mas ele nota que, se a empresa aumenta o MRR (receita recorrente mensal) com lucratividade, o valuation sobe como consequência, não como objetivo.

A conclusão dele não é que o SaaS morreu, é que ele vai mudar bastante. Pode acontecer um cancelamento pontual aqui e ali, quando alguém decide construir uma ferramenta só para si, mas isso está longe de significar que empresas de software vão perder a base inteira de clientes para IA. O que muda de verdade é para onde precisa ir a atenção do fundador: cada vez mais para a distribuição, e cada vez menos para achar que o código sozinho segura o negócio.

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