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As melhores ideias de SaaS: filtros para validar seu software antes de desenvolver

👤 Deivison 📅 Mai 14, 2025 ⏱ 6 min de leitura

Por Deivison Alves Elias — Vivendo de SaaS

Antes de escrever uma linha de código, vale a pena passar a sua ideia por um conjunto de filtros. Não se trata de encontrar a ideia perfeita, mas de evitar armadilhas que desperdiçam meses de trabalho. Deivison Alves Elias, fundador do eGestor e do canal Vivendo de SaaS, compartilha os critérios que usa para avaliar se uma ideia de SaaS tem potencial real de sucesso.

Ideia não vale nada: o que importa é a execução

Muitos empreendedores têm medo de contar suas ideias por receio de alguém copiá-las. A realidade é que ideias por si só não valem nada — o que gera resultado é a execução. Fazer um software equivalente ao Uber não é tecnicamente difícil; existem até códigos-fonte prontos disponíveis para compra. O empreendedor que realmente vai executar já está ocupado com outras coisas e dificilmente vai parar tudo para copiar sua ideia.

Mais do que isso: se a sua ideia é boa o suficiente para ser copiada, isso é um sinal positivo — significa que ela tem valor de mercado.

SaaS é melhor do que marketplace

Um erro comum é confundir SaaS com marketplace. O marketplace exige dois públicos simultâneos — como motoristas e passageiros no Uber, ou restaurantes e consumidores no iFood — e isso cria uma dependência dupla que torna o crescimento muito mais caro e arriscado. O player número um costuma dominar o mercado de forma desproporcional.

No SaaS, a relação é direta: software e cliente. Mesmo sem ser o líder de mercado, é possível crescer muito e ter uma operação lucrativa. A base de clientes de um SaaS é difícil de ser conquistada por um concorrente — há resistência natural à troca de software empresarial por causa da curva de aprendizado e do trabalho de migração.

Se o marketplace ainda for o objetivo, a recomendação é começar pelo SaaS, construir o ecossistema e depois migrar para o modelo de plataforma.

Foque em B2B

Vender para empresas é, na maioria dos casos, mais rentável do que vender para o consumidor final. A lei é simples: quanto menor o ticket, maior o churn. É muito mais viável cobrar R$ 3.000 por mês de uma empresa — que enxerga o software como investimento — do que tentar extrair esse valor de uma pessoa física.

O B2B permite tickets maiores, contratos mais longos e uma relação comercial mais estável. A renda de uma empresa é estruturalmente diferente da renda de uma pessoa física, e isso se reflete na capacidade de pagar por soluções que resolvem problemas reais de negócio.

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Pense na monetização desde o início

Não lance um software pensando em descobrir como ganhar dinheiro depois. A recorrência — mensalidades ou anuidades — é uma das maiores vantagens do SaaS e precisa ser planejada desde o início. Receita recorrente traz previsibilidade financeira que a maioria dos outros modelos de negócio não oferece.

Evite depender de publicidade como fonte principal de receita. Se o software tem público suficiente para se sustentar com propaganda, ele geraria muito mais dinheiro com mensalidades. E colocar anúncios distrai o usuário do plano pago — exatamente o oposto do que se quer.

Evite cobrar apenas por consumo

Existem três modelos de precificação: por consumo, por usuário e por plano. Cobrar exclusivamente por consumo elimina a previsibilidade de receita — um erro que atrasou o crescimento do eGestor no início. O ideal é trabalhar com planos claros, eventualmente complementados por limites de consumo, mas sempre garantindo uma base de receita mensal previsível.

Preço mínimo: abaixo de R$ 50 é problema

Com os custos atuais de propaganda paga e estrutura comercial, cobrar menos de R$ 50 por mês torna o modelo insustentável. O CAC (custo de aquisição de cliente) vai demorar muito para ser recuperado. Se o medo é perder clientes ao subir o preço de R$ 30 para R$ 50, a experiência mostra que essa diferença raramente é percebida pelos clientes. Teste o teto de preço antes de assumir que ele é intransponível.

Ter concorrência é bom

Se não existe nenhum produto similar no mercado, isso é um sinal de alerta — não de oportunidade única. Pode significar que não há demanda. Concorrentes validam o mercado, ajudam a educar clientes e às vezes mostram caminhos que o próprio empreendedor não havia considerado. O eGestor cresceu mais depois que surgiram concorrentes, inclusive copiando práticas inovadoras como a oferta de certificado digital junto com o software.

Copiar com inteligência — adaptando, melhorando, adicionando diferenciais — é uma estratégia legítima e eficaz.

Demonstre valor rapidamente

O conceito de Product-Led Growth começa com uma pergunta: em quanto tempo o cliente percebe o valor do produto? Quanto mais simples e rápido for explicar o que o software faz, mais fácil é vender. O NFE+ (emissor de nota fiscal eletrônica) é mais fácil de vender do que o eGestor completo — justamente porque o problema que resolve é imediato e claro. Use essa simplicidade como porta de entrada e expanda o relacionamento depois.

Aplicativo nativo não é prioridade no início

Desenvolver versões para iOS, Android e web ao mesmo tempo no início do produto é um desperdício de recursos. A não ser que o produto exija recursos nativos específicos — como GPS em tempo real ou notificações push — foque na versão web primeiro. Aplicativos nativos podem vir depois, quando o produto já estiver validado e gerando receita.

Conclusão: filtre antes de construir

Para a definição completa de Micro-SaaS, leia: O que é Micro-SaaS? As lições de Tyler Tringas.

Passar a sua ideia por esses filtros antes de começar a desenvolver pode poupar meses de trabalho. Prefira B2B a consumidor final, SaaS a marketplace, recorrência a consumo, concorrência a mercados inexistentes e simplicidade a complexidade desnecessária. A melhor ideia de SaaS não é a mais inovadora — é a que passa em todos esses filtros e que você consegue executar com consistência.

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