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O que ninguém te conta sobre crescer uma empresa de SaaS

👤 Deivison 📅 Mar 21, 2025 ⏱ 6 min de leitura

Existe uma narrativa muito vendida no mundo das startups: a ideia de que as coisas precisam acontecer rápido. Que o sucesso deve chegar em meses. Que se o seu SaaS não estiver crescendo 20% ao mês, você está fazendo algo errado. Mas a realidade de quem constrói uma empresa de software como serviço é bem diferente disso — e é sobre essa realidade que quero falar hoje.

A pressa que não existe no mundo real

As pessoas estão muito preocupadas em ganhar dinheiro rápido, fazer as coisas acontecerem numa velocidade absurda. Mas existe algo que ninguém te conta: em alguns anos, se você estiver começando agora com a sua startup, vai lembrar com carinho daqueles dias iniciais em que se reunia com os sócios no final do expediente, tomavam algo juntos e planejavam o futuro da empresa.

Há uma frase do São José Maria Escrivá que resume muito bem esse sentimento: "Que a tua vida não seja uma vida estéril. Sê útil. Deixa rastro." É algo que me move profundamente. Quando olho para o passado, percebo que as preocupações que pareciam enormes na época eram, na verdade, bem menores do que eu imaginava. Dou risada hoje de muitas coisas que me tiravam o sono.

O início do eGestor: uma semana sem vender nada

Lembro com clareza de um episódio lá no começo do eGestor. Fiquei uma semana inteira sem fechar uma única conta. Levantei da cadeira, fui até meu sócio que estava desenvolvendo o sistema e disse: "Cara, nem adianta a gente continuar. Não estou conseguindo vender. Acho que não vai dar certo."

Ainda bem que ele me ignorou. Continuou trabalhando. E a gente foi em frente — porque não havia alternativa. Era preciso fazer aquilo dar certo.

Não fui o único a sentir isso. Os fundadores do YouTube, em determinado momento inicial da plataforma, reclamavam da vida porque ninguém usava o site. Eles tinham conseguido apenas uns 40 vídeos enviados por usuários e estavam se sentindo derrotados. Isso é completamente normal no início de qualquer startup. As coisas levam o tempo que precisam levar — o mundo não tem a mesma pressa que você.

As fases da empresa: da infância à maturidade

Lançamos o eGestor em 2009. Em 2010 já começava a dar dinheiro e mudamos para uma sede maior — alugamos o primeiro andar de um prédio. Com o crescimento, logo alugamos também o segundo andar. Era a adolescência da empresa: todo mundo era amigo, todo mundo conversava com todo mundo no café, havia muita algazarra e pouca eficiência.

Havia estagiários que vinham financiar a festa. A gente contratava sem método, sem treinamento. Eles fingiam que trabalhavam, a gente fingia que pagava — porque pagava pouco. Era a infância da empresa, com toda a bagunça e a graça que isso tem.

Em 2013, veio o golpe mais duro: o incêndio da Boate Kiss. Perdemos duas colegas que trabalhavam conosco. Na segunda-feira seguinte, todo mundo veio trabalhar, mas ninguém conseguia. Ficamos reunidos na sala principal, em silêncio, pensando na vida. Foi um momento que marcou profundamente a empresa e a todos nós.

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O passo para trás que foi necessário

Em 2015, percebemos que a propaganda paga — que era nossa principal alavanca de crescimento — havia deixado de funcionar do jeito que trabalhávamos. Foi uma virada de chave difícil. Tivemos que repensar tudo.

Demitiram-se vendedores. A empresa estava crescendo, mas não da maneira correta. Decidimos dar um passo atrás: paramos o desenvolvimento, redesenhamos o eGestor, fizemos testes de usabilidade. Achávamos que o problema era o produto. Com o tempo, descobrimos que o problema real era a falta de processo de venda e de marketing eficiente.

A partir de 2016, terminamos a nova versão do eGestor. Em 2017, começamos a investir em SEO, contratamos consultoria de processos de vendas, organizamos a equipe comercial. Viajamos por várias cidades do Brasil — patrocinamos eventos, conversamos com outras startups, passamos vergonha quando nos perguntavam sobre métricas que não sabíamos responder. Mas aprendemos. Muito.

O crescimento e o que ele muda

A partir de 2020, a empresa cresceu significativamente. Começaram a aparecer empresas interessadas em nos comprar. Conversamos com muitas, mas não gostamos de nenhuma proposta. Depois veio a pandemia, o home office forçado — e eu comecei a perceber que o home office não era o paraíso que muitos vendiam.

Falei sobre isso publicamente aqui no Vivendo de SaaS já em 2021, quando era impopular dizer isso. Fui criticado por funcionários que discordavam. Com o tempo, grandes empresas de tecnologia mundo afora chegaram à mesma conclusão. Não estava tão errado assim.

O crescimento trouxe outras mudanças. Os sócios ficaram cada um na sua sala. A gente não conversa mais tanto quanto antigamente. Todo mundo tem família, filhos, responsabilidades. A empresa ficou mais séria, mais profissional — e isso é ótimo. Mas dá saudade da bagunça do início.

A jornada é o destino

Meu nome é Deivison Alves Elias, e o que quero te dizer com tudo isso é simples: a jornada importa tanto quanto o destino. Você vai olhar para trás com orgulho do que construiu — das noites planejando com os sócios, dos erros que te ensinaram, dos momentos de crise que você superou.

Não deixe a pressa de hoje te impedir de aproveitar o processo. Construa com cuidado, com propósito, deixando rastro. Porque é isso que vai ficar — não só o MRR, mas a história que você vai contar com orgulho para seus filhos e netos.

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