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Por que contratar mais desenvolvedores não vai salvar o seu SaaS

👤 Deivison 📅 Set 5, 2025 ⏱ 5 min de leitura

Chega de contratar mais desenvolvedores. Essa é a mensagem direta de Deivison Alves Elias para empreendedores de software que vivem num ciclo vicioso de equipes cada vez maiores e resultados cada vez menores. Se você tem um SaaS validado, com clientes satisfeitos, mas trava num teto de crescimento, este artigo é para você.

O ciclo vicioso do desenvolvedor extra

A cena é clássica: o vendedor visita um prospect, o cliente elogia o software mas pede um botão específico, um calendário personalizado ou uma funcionalidade exclusiva. Sem essa adaptação, ele não fecha. O empreendedor volta ao escritório frustrado e a conclusão parece óbvia: precisamos contratar mais um desenvolvedor.

O problema é que essa lógica cria um ciclo que raramente termina bem. Primeiro, encontrar um bom programador é difícil. Ele não pode ser qualquer um — precisa entender o código existente, as regras de negócio do produto, integrar-se à equipe e ganhar confiança ao longo de meses. Depois que a nova funcionalidade fica pronta, o desenvolvedor não pode ficar parado, então recebe mais tarefas. O software incha. Fica mais difícil de manter, de dar suporte, de treinar novos colaboradores. Deivison leva seis meses para treinar uma pessoa nova para suporte no eGestor — e o eGestor é um software deliberadamente simples.

Software que abraça tudo não resolve nada

Existe uma lei universal de posicionamento de marca, estudada a fundo por Al Ries: a mente humana funciona com "gavetinhas", e cada gaveta comporta apenas uma característica por vez. Um software que resolve absolutamente tudo não ocupa posição clara na cabeça do cliente — e, na prática, não resolve nada com excelência.

A analogia é simples: se você está com dor de cabeça e o farmacêutico oferece dois remédios — um que cura dor de cotovelo, calvície e dor de cabeça, e outro que cura só dor de cabeça — qual você escolhe? O específico. Com software é exatamente a mesma coisa. Quanto mais funcionalidades são empilhadas para atender pedidos pontuais de prospects, mais o produto perde identidade e posicionamento.

O verdadeiro problema é de marketing e vendas

Se o software já tem clientes satisfeitos e funciona bem para um determinado perfil de empresa, o problema de crescimento quase nunca é a falta de funcionalidades. É marketing e vendas. O empreendedor de tecnologia tende a resolver tudo com código — afinal, é o que sabe fazer. Mas esse é um viés perigoso.

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Deivison deu um exemplo concreto do eGestor: ao cruzar o CNAE (categoria de atividade empresarial) dos clientes com o LTV (Lifetime Value), identificou quais tipos de empresa ficam mais tempo e geram mais receita. Com esse dado, o time redirecionou o marketing para buscar exatamente esse perfil — em vez de atrair farmácias que pediriam controle de validade (uma funcionalidade fora do escopo), passaram a atrair lojas de roupas, de colchões e negócios para os quais o produto já é perfeito.

Como conduzir uma conversa de vendas que não cria pedidos de funcionalidades

Existe uma mudança simples no processo comercial que reduz drasticamente as solicitações de novas funcionalidades: pare de apresentar funcionalidades. Abrir o software e navegar pelos menus para mostrar o que ele faz é a pior forma possível de vender. Essa abordagem convida o cliente a inventar objeções e pedir customizações.

A abordagem correta é direcionar a conversa para o problema do cliente. No contexto do eGestor, o vendedor pergunta: "Como você controla o financeiro da sua empresa hoje?" Se o cliente responde que usa uma planilha, o vendedor explora: e se a planilha se corromper? Existe backup? Essa é realmente a melhor forma de gerir o fluxo de caixa de uma empresa? O objetivo é fazer o cliente "confessar" que tem um problema. No momento em que ele admite a dor, a venda fica muito mais natural — porque agora ele precisa de uma solução, não está avaliando um cardápio de funcionalidades.

O que estudar no lugar de contratar mais um programador

A recomendação de Deivison Alves Elias é clara: invista tempo em marketing e em processo de vendas. Alguns pontos de partida:

  • Posicionamento de marca: leia os livros de Al Ries para entender como ocupar espaço mental no seu mercado-alvo.
  • Análise do cliente ideal: cruze dados de LTV com perfil de empresa para descobrir quem realmente fica e quem gera margem.
  • Processo de vendas consultivo: treine vendedores para conduzir conversas baseadas no problema do cliente, não nas features do produto.
  • Marketing de conteúdo e SEO: atraia os clientes certos organicamente, reduzindo o CAC e aumentando a qualidade dos leads.

Esses investimentos têm um custo muito menor do que contratar, treinar e manter um novo desenvolvedor — e geram resultados mais duradouros, porque atacam a causa real da estagnação.

Conclusão

Contratar mais programadores é uma resposta instintiva para quem cresceu resolvendo problemas com código. Mas para um SaaS já validado, essa decisão quase sempre adia o crescimento em vez de acelerá-lo. O software incha, o suporte fica caro, o posicionamento se dilui e a empresa entra num ciclo de stress permanente.

A solução começa com uma mudança de perspectiva: o produto provavelmente está bom o suficiente. O que falta é fazer as pessoas certas chegarem até ele — e convencê-las de que precisam dele. Isso é um desafio de marketing e vendas, não de engenharia.

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