Você está constantemente desenvolvendo novas funcionalidades para o seu software, mas sua receita não cresce na mesma proporção? Deivison, do canal Vivendo de SaaS, aborda um erro comum entre fundadores de software: não saber valorizar o que já existe. O problema não é falta de produto, é falta de percepção de valor e uma estratégia de precificação SaaS mal estruturada.
A Armadilha das Novas Funcionalidades
Quase todo fundador de SaaS cai na mesma armadilha: ao não entender bem vendas e marketing, a saída automática é desenvolver mais funcionalidades. A lógica parece óbvia, "se eu tiver mais recursos, vendo mais". Mas o resultado real costuma ser o oposto.
Quanto mais funcionalidades um software tem, mais difícil fica posicioná-lo no mercado e mais confusa fica a demonstração para o cliente. Olhe para os aplicativos que você usa no celular: a maioria é simples. Softwares com dezenas de módulos frequentemente têm mais dificuldade de se vender do que ferramentas focadas e objetivas.
A pergunta que Deivison propõe é direta: você desenvolveu uma 11ª funcionalidade. Como você valoriza ela? Você garantiu que todos os clientes atuais ficaram sabendo? Ela aparece claramente na sua comunicação de vendas? E, principalmente, você está monetizando a mais por ela?
O Verdadeiro Problema: Não Monetizar o que Já Existe
O ponto central do vídeo é este: muitas empresas de software adicionam recursos constantemente, aumentam o valor entregue ao cliente, mas não ajustam o preço nem comunicam esse valor de forma eficaz.
A consequência é que o fundador fica preso num ciclo de esforço alto e receita estagnada. A solução não é necessariamente vender mais, é cobrar mais pelo que já entrega e aprender a demonstrar esse valor de maneira convincente.
Isso vale não só para funcionalidades, mas também para serviços complementares. No caso do e-gestor, software gerenciado por Deivison, a equipe oferece implementação completa, com um profissional dedicando uma hora para treinar o cliente de ponta a ponta. Esse serviço tem custo real para a empresa e, mesmo assim, era entregue sem qualquer menção ao valor que representa. Isso precisa mudar.
Como Valorizar Cada Recurso do Seu Software
A inspiração vem de uma prática antiga do marketing direto: aqueles comerciais de televisão onde o apresentador somava o valor de cada item incluído na oferta antes de revelar o preço final. Cada pequena adição era apresentada como algo excepcional, mesmo que individualmente parecesse simples.
Deivison aplica essa lógica ao contexto do SaaS com um exemplo prático do e-gestor:
- Controle de estoque: apresentado como uma solução que por si só valeria centenas de reais por mês para uma empresa que depende de inventário preciso.
- Controle financeiro: um recurso que, se adotado em massa pelas micro e pequenas empresas brasileiras, reduziria significativamente a taxa de mortalidade dessas empresas, que muitas vezes fecham por não controlar entrada e saída de caixa.
- Nota fiscal eletrônica: integrada ao pacote, agrega ainda mais valor sem custo extra para o cliente.
A proposta não é enganar o cliente. É provar para ele o impacto real de cada solução e comunicar esse valor de forma que ele perceba o quanto deixaria de ganhar (ou quanto perderia) sem aquele recurso.
Há uma frase atribuída a Eric Rocha que resume bem o conceito: "Venda o que eles querem, entregue o que eles precisam." Você vende o sonho, a transformação, o impacto. Você entrega a ferramenta que vai gerar esse resultado.
O Stripe como Referência em Monetização por Funcionalidade
Um dos exemplos mais concretos citados é o Stripe, plataforma de pagamentos recorrentes usada por milhares de SaaS no mundo, incluindo o próprio LingHack, software de Deivison.
O Stripe é mestre em cobrar por funcionalidades adicionais. Um exemplo citado: eles cobram uma porcentagem da fatura para enviar automaticamente um PDF com o detalhamento do que o cliente pagou. É uma função que um desenvolvedor implementaria em poucas horas. Mas o Stripe transforma isso num serviço opcional com cobrança separada.
Não é sobre complexidade técnica. É sobre percepção de valor e estrutura de precificação, e como os maiores SaaS fazem o cliente pagar mais sem necessariamente adicionar funcionalidades novas.
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Deivison menciona um concorrente direto que trabalha com clientes de porte maior e tem uma abordagem radicalmente diferente:
- Cobra pelo acesso a aulas gravadas para aprender a usar o software.
- Cobra por hora de implementação, com valores não baratos.
- Tem churn elevado, mas mantém receita alta no curto prazo.
A abordagem em si não é recomendada como modelo ideal, especialmente a cobrança por aulas de onboarding, que tende a aumentar churn. Mas ela ilustra que existe espaço para cobrar por coisas que muitas empresas entregam de graça sem pensar nisso.
A lição não é cobrar por absolutamente tudo. É parar de deixar valor na mesa sem ao menos mostrar ao cliente que aquilo tem um custo real.
O Conceito de Oferta Irresistível
O livro "DotCom Secrets", de Russell Brunson, trouxe uma discussão interna na empresa de Deivison que motivou este vídeo. O conceito central é o de oferta irresistível: estruturar sua proposta de venda somando o valor percebido de cada componente antes de revelar o preço final.
Brunson ilustra o conceito com uma história: em uma palestra, ele mostrou seu celular e começou a listar tudo que havia nele, contatos diretos com pessoas influentes, cursos exclusivos, informações valiosas. Ao final, várias pessoas levantaram dispostas a pagar mil dólares pelo aparelho. O celular em si valia bem mais, mas a oferta tornou o preço óbvio e irresistível.
Aplicado ao SaaS, a lógica seria:
- Liste cada módulo ou serviço que você oferece.
- Atribua um valor percebido a cada um, mesmo que seja estimado.
- Some tudo e mostre ao cliente o que ele estaria pagando se comprasse cada parte separadamente.
- Apresente seu preço como uma fração desse total.
Quando o cliente entende o que está recebendo e quanto cada parte valeria individualmente, a decisão de compra fica muito mais fácil.
O Papel da Copy e do Discurso de Vendas
Uma das mudanças práticas que Deivison descreve na própria empresa é investir mais tempo em copywriting: a arte de escrever textos que vendem. Isso inclui desde o título de um vídeo no YouTube até o discurso do vendedor numa ligação de prospecção.
O processo dele: pegar o roteiro do vídeo, jogar no ChatGPT e pedir ideias de títulos mais atrativos. O conteúdo pode ser excelente, mas se o título não chamar atenção, ninguém clica, ninguém assiste, e o trabalho se perde.
O mesmo princípio vale para landing pages, vídeos de vendas e scripts de vendedores. O argumento precisa mostrar ao cliente o que ele está perdendo por não ter aquela solução, de forma clara, direta e impactante.
Precificação e Percepção de Valor Caminham Juntas
Uma observação importante do vídeo: software gratuito não necessariamente atrai mais clientes. Deivison menciona que teve um concorrente direto, apoiado pelo Sebrae, oferecendo uma solução similar de graça. O impacto nas vendas do e-gestor foi zero.
A explicação é psicologia do cliente SaaS: quem paga por um software respeita mais a ferramenta, se compromete mais com a implementação e tem mais expectativa de resultado. O cliente que paga tem o direito de cobrar e isso cria um relacionamento mais saudável e duradouro.
Preço é também um sinal de qualidade. Aumentar o preço, desde que justificado por valor real, tende a atrair clientes melhores e mais comprometidos, o que se torna uma vantagem competitiva difícil de replicar.
Resumo: O que Fazer na Prática
- Mapeie tudo que você entrega: funcionalidades, serviços, onboarding, suporte. Tudo tem valor.
- Atribua valor percebido a cada item: quanto o cliente pagaria se fosse contratar isso separadamente?
- Comunique esse valor ativamente: na landing page, no vídeo de vendas, no discurso do vendedor.
- Considere monetizar funcionalidades extras: o que hoje é entregue de graça pode ser um módulo opcional cobrado à parte.
- Aprenda copywriting: o argumento de venda importa tanto quanto o produto.
- Não tenha medo de cobrar mais: preço alto, quando bem justificado, atrai clientes melhores.
A mudança não começa no produto. Começa na forma como você enxerga e apresenta o que já tem. Antes de criar a próxima funcionalidade, pergunte-se: você já está cobrando e comunicando bem o valor de tudo que já existe?
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