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Ele faz US$10K por mês no porão da casa da sua mãe

👤 Deivison 📅 Set 10, 2025 ⏱ 6 min de leitura

E se você pudesse construir um negócio de software que gera dez mil dólares por mês sem ter saído da faculdade, sem experiência prévia em programação e trabalhando no porão da casa da sua mãe? Parece improvável, mas é exatamente o que Jack Freaks fez. Deivison Alves Elias, fundador do eGestor e do canal Vivendo de SaaS, analisou a trajetória desse indie hacker e extraiu lições valiosas para empreendedores brasileiros de software como serviço.

Quem é Jack Freaks e como chegou aos US$10K por mês

Jack Freaks é um jovem empreendedor que decidiu largar a faculdade e pedir demissão do McDonald's para empreender. Sem saber exatamente o que fazer, ele considerou lançar um livro, vender camisetas e criar um canal no YouTube sobre criptomoedas antes de se decidir por software. Aprendeu a programar usando o ChatGPT como professor e, após quatro meses de desenvolvimento, lançou seu primeiro aplicativo.

Hoje ele mantém dois SaaS que juntos geram US$10.000 por mês de receita bruta — tudo operando a partir do porão da casa da sua mãe, construído do zero, sem investidores e sem saber programar antes de começar.

O primeiro produto: Curiosity Quest

O Curiosity Quest nasceu de um problema pessoal. Jack percebeu que passava horas rolando o feed do Instagram, TikTok e Twitter consumindo conteúdo vazio. Sua solução foi criar um aplicativo que transformasse o tempo de tela em aprendizado — se você vai ficar olhando o celular de qualquer forma, que seja sobre temas do seu interesse.

O app cobra US$30 por ano por assinatura e, segundo o próprio fundador, gera cerca de US$3.000 por mês, tendo chegado a US$60.000 de receita bruta em 2024. O desenvolvimento levou quatro meses — não porque o produto seja complexo, mas porque Jack estava aprendendo a programar enquanto construía, usando o ChatGPT para resolver erros e aprender conceitos.

O segundo produto: Post Bridge

O Post Bridge surgiu da própria estratégia de marketing de Jack. Ele percebia que gastava uma hora por dia postando conteúdo em várias redes sociais manualmente. Ao procurar ferramentas que resolvessem esse problema, encontrou soluções caras e pouco acessíveis para criadores individuais. Então decidiu construir a sua própria.

O Post Bridge permite postar simultaneamente em Twitter, LinkedIn, Instagram, TikTok e outras plataformas a partir de um único painel. Em cinco meses do lançamento, gerou US$40.000 de receita bruta e hoje está na casa dos US$7.000 mensais. A estratégia de precificação também foi testada — Jack trabalhou muito com planos anuais para maximizar o valor por cliente, com opções a partir de US$9 mensais.

A estratégia de marketing no TikTok e Instagram

Um dos aspectos mais interessantes da trajetória de Jack é sua abordagem de marketing orgânico. Ele reserva uma hora por dia exclusivamente para marketing — algo que a maioria dos desenvolvedores-empreendedores negligencia completamente por estar focado no produto.

Para o Curiosity Quest, Jack criou templates simples no Instagram: vídeos curtos com frases do tipo "Pessoas com determinado hobby têm cérebros enormes" acompanhadas de listas de atividades como matemática, ciclismo e leitura. O conteúdo é simples, demora segundos para consumir, tem uma musiquinha de fundo e ressoa com o público. Identificou que funcionava e replicou para dezenas de variações.

Ele mantém três contas diferentes no Instagram e posta em horários variados, com conteúdo diferente em cada conta. Segundo ele, postar o mesmo conteúdo repetidamente prejudica o alcance orgânico da plataforma.

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Building in public: mostrar o processo é mais poderoso que frases de efeito

No Twitter, Jack adota a filosofia do building in public — compartilha abertamente o que está construindo, os números reais, os desafios do dia a dia. Segundo ele, esse tipo de conteúdo tem muito mais engajamento do que frases motivacionais genéricas, porque as pessoas querem acompanhar histórias reais.

Deivison Alves Elias concorda e ressalta um ponto importante para quem tem medo de começar a produzir conteúdo: as pessoas não estão nem aí para o que seus amigos próximos vão pensar. O público que você mais precisa alcançar são estranhos que compartilham o mesmo problema — e esses estranhos são os que mais se engajam com conteúdo autêntico e consistente.

Validação de ideias: resolva seus próprios problemas

Antes de começar a programar, Jack validou o Curiosity Quest de uma forma elegante: gravou um vídeo no TikTok descrevendo o problema que tinha com o uso excessivo de redes sociais e contando que estava pensando em desenvolver um aplicativo para resolver isso. Os comentários positivos e o interesse genuíno das pessoas foram o sinal de que valia a pena investir quatro meses de desenvolvimento.

O Post Bridge nasceu ainda mais organicamente — era uma ferramenta que ele mesmo precisava para sua própria estratégia de marketing. Resolver os próprios problemas é uma das formas mais confiáveis de encontrar ideias com mercado real, porque você já conhece a dor por dentro e sabe exatamente o que a solução precisa fazer.

O stack tecnológico de um indie hacker

Para quem tem curiosidade técnica, Jack usa Next.js para o front-end web, React Native com Expo Dev para os aplicativos móveis e Supabase como banco de dados. O código das landing pages é sempre reutilizado — um template base que ele modifica para cada produto, sem reconstruir do zero a cada vez.

O uso intensivo do ChatGPT para aprender e programar é uma característica central da sua abordagem. Ele não tentou aprender programação por um bootcamp ou curso tradicional — usou a IA como tutor sob demanda enquanto construía o produto real, corrigindo erros conforme apareciam.

As lições para empreendedores de SaaS brasileiros

A história de Jack Freaks carrega lições universais. Primeiro: marketing não é opcional. Reservar uma hora por dia para marketing — não para programar mais — foi uma decisão deliberada e fundamental para o sucesso dele. A maioria dos desenvolvedores-fundadores ignora isso e se pergunta por que o produto não cresce.

Segundo: validar antes de construir. Um vídeo no TikTok foi suficiente para confirmar que havia interesse no Curiosity Quest antes de uma linha de código ser escrita. Terceiro: resolver problemas reais, de preferência os seus próprios. Quarto: construir em público gera audiência e clientes simultaneamente.

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Como observa Deivison Alves Elias: o cara não quis mais trabalhar no McDonald's, foi empreender, deu a cara a tapa e está ganhando US$10.000 por mês com dois softwares que desenvolveu sem saber programar. A barreira de entrada para construir um SaaS nunca foi tão baixa — e histórias como a de Jack mostram que o que separa a ideia do negócio real é, acima de tudo, a decisão de começar.

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