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O erro da 'Preguiça Ativa': Por que trabalhar muito pode quebrar seu SaaS

👤 Deivison 📅 Out 17, 2025 ⏱ 7 min de leitura

Todo empreendedor de software já ouviu histórias de fundadores que trabalham 12, 14 horas por dia como se isso fosse uma medalha de honra. Mas e se esse excesso de trabalho for, na verdade, um sinal de que algo está profundamente errado no modelo do negócio? Deivison Alves Elias, fundador do eGestor e criador do canal Vivendo de SaaS, traz um conceito provocador que vai mudar a forma como você enxerga produtividade no mundo do software como serviço: a Preguiça Ativa.

O que é a Preguiça Ativa e por que ela é um problema no SaaS

Preguiça Ativa é o comportamento de manter-se sempre ocupado para evitar o desconforto de parar e pensar. Em vez de refletir sobre o que realmente precisa ser feito — o que exige esforço mental — as pessoas simplesmente ficam trabalhando, acumulando tarefas operacionais que geram a ilusão de progresso.

No contexto de empresas de software, isso se manifesta de forma muito concreta: desenvolvedores e fundadores que aceitam personalizar o sistema para cada cliente, que correm de urgência em urgência, que estão sempre "apagando incêndio" — e acham que isso é normal. Não é. É um sintoma de que o produto e o processo de vendas não foram estruturados corretamente.

"Preguiça ativa é quando, em vez de pensar — porque pensar dá trabalho, cansa pensar — as pessoas ficam trabalhando. Então elas estão sempre ocupadas com alguma coisa, dando a desculpa: 'Cara, eu trabalho muito'." — Deivison Alves Elias

A lição aprendida numa empresa de software nos anos 2000

Deivison conta que trabalhou numa empresa de software quando tinha pouco mais de 20 anos. A empresa desenvolvia ERPs e softwares para farmácias e outros segmentos — e mantinha um código-fonte separado para cada cliente. O processo era caótico: o programador precisava ir pessoalmente até a empresa do cliente, alterar o código no local, compilar o sistema e pedir para todos os funcionários pararem o que estavam fazendo para reiniciar o software.

Em uma farmácia de manipulação cheia de clientes, Deivison precisou interromper todos os caixas para aplicar uma atualização. Em uma ferragem, enquanto ajustava a impressão de notas fiscais, foi pressionado e xingado pelo dono da empresa. Esse era o cotidiano de uma operação construída sobre a Preguiça Ativa: muito esforço, pouco resultado escalável.

"Eu vi que tinha muita coisa errada ali na empresa deles, decisões que eu via que não eram boas. E depois quando eu montei a minha empresa, eu fiz exatamente o contrário." — Deivison Alves Elias

Código por cliente: o antipadrão que impede o crescimento do SaaS

Um dos maiores erros que Deivison observou naquela empresa foi manter um repositório de código diferente para cada cliente. Cada personalização criava uma nova ramificação do sistema, tornando impossível escalar, corrigir bugs de forma centralizada ou evoluir o produto de maneira consistente.

No modelo SaaS moderno, o princípio é o oposto: um único código-base serve todos os clientes. As personalizações existem, mas de forma controlada — configurações, permissões, módulos opcionais — nunca alterações diretas no código por cliente. Quando uma empresa aceita qualquer personalização que o cliente pede, ela está trocando crescimento sustentável por receita de curto prazo e complexidade operacional crescente.

A raiz desse problema, segundo Deivison, não é técnica — é comercial. Empresas que não têm um fluxo constante de leads qualificados ficam com medo de dizer não para qualquer cliente. E esse medo as leva a aceitar condições que destroem a saúde do produto e da equipe.

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Falta de virilidade comercial: o medo de dizer não ao cliente

Deivison usa o termo "falta de virilidade" para descrever a incapacidade de recusar demandas inadequadas de clientes. Quando uma empresa não tem marketing estruturado — quando não há novos leads chegando com frequência — qualquer cliente parece insubstituível. Isso cria uma dinâmica de subserviência que corrói a qualidade do produto e a rentabilidade da operação.

A solução não está em trabalhar mais para atender todas as demandas. Está em investir em marketing, em geração de demanda, em processos de vendas — para que a empresa tenha poder de escolha sobre quais clientes aceitar e quais propostas recusar. Um SaaS saudável consegue dizer não sem medo, porque sabe que outros clientes estão chegando.

"Não dá para ficar só na parte de tecnologia. A gente tem que aprender outras coisas. Tem que parar e fazer aquilo que as pessoas não fazem: estudar marketing, estudar processos de vendas." — Deivison Alves Elias

O custo humano do excesso de trabalho no SaaS

Além do impacto no produto, Deivison aborda uma consequência ainda mais grave da Preguiça Ativa: o custo humano. Ele conta sobre um sócio que antes de trabalhar com ele havia estado numa empresa cujo fundador trabalhava das 7h às 19h todos os dias, orgulhoso de sua dedicação. Esse mesmo fundador quase teve um infarto.

Trabalhar excessivamente sem estruturar o negócio não é heroísmo — é um sintoma de falta de organização. O fundador que trabalha 12 horas por dia porque "não há outro jeito" ainda não encontrou o jeito certo. E esse ritmo insustentável tem consequências reais: problemas de saúde, relacionamentos comprometidos, filhos crescendo sem a presença do pai ou da mãe.

Deivison é direto: ele tem duas filhas pequenas e rejeita 99% dos convites para palestras pelo Brasil. Prefere estar presente em casa enquanto as filhas ainda são crianças. Para ele, qualidade de vida vale mais do que visibilidade ou crescimento acelerado a qualquer custo.

"Eu não quero ter que fazer uma ponte de safena por causa de excesso de trabalho. Eu não quero isso para mim, não quero pros meus sócios, não quero pros meus funcionários." — Deivison Alves Elias

Como sair da Preguiça Ativa e construir um SaaS sustentável

A saída da Preguiça Ativa exige uma mudança de mentalidade: de executor para estrategista. Em vez de aceitar qualquer demanda e trabalhar mais, o fundador de SaaS precisa parar, refletir e estruturar:

  • Produto com código unificado: invista em criar um núcleo robusto que sirva a maioria dos clientes sem personalizações no código.
  • Marketing e geração de demanda: sem leads constantes, você fica refém de cada cliente existente. Com marketing, você recupera o poder de escolha.
  • Delegação e parceria: se você não gosta de vendas ou marketing, encontre um sócio ou contrate alguém que goste. Um SaaS não sobrevive só de tecnologia.
  • Ritmo de vida sustentável: defina limites claros entre trabalho e vida pessoal. Negócios saudáveis são construídos por pessoas saudáveis.
  • Aprenda com antiexemplos: observe o que as empresas ao seu redor fazem de errado e use isso como bússola para fazer diferente.

Conclusão: Trabalhar menos pode ser exatamente o que seu SaaS precisa

A mensagem central de Deivison Alves Elias é contraintuitiva, mas poderosa: o caminho para um SaaS sustentável não é trabalhar mais — é pensar melhor. Parar para estruturar o produto, investir em marketing, aprender a dizer não aos clientes errados e proteger sua qualidade de vida são atitudes que parecem "preguiça" para quem está preso na correria, mas são exatamente o que diferencia empresas que escalam daquelas que consomem seus fundadores.

Se você reconheceu algum padrão de Preguiça Ativa no seu negócio, este é o momento de parar, respirar e planejar. Assista ao vídeo completo acima, inscreva-se no canal Vivendo de SaaS e comece a construir um software como serviço que funciona para você — não o contrário.

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