Construir um SaaS do zero até R$ 40 mil em MRR em apenas sete meses é uma conquista que poucos empreendedores conseguem. Mas foi exatamente isso que Moacir fez com o TinTim, uma plataforma de rastreamento de campanhas de WhatsApp voltada para agências de marketing digital e negócios locais. Nesta conversa com Deivison Alves Elias, ele detalha cada etapa: da identificação da dor ao crescimento semana a semana.
Quem é Moacir e o que é o TinTim?
Moacir é programador desde os 11 anos de idade e trabalhou profissionalmente a partir dos 18 anos. Com uma veia empreendedora sempre presente, ele acumulou experiência em fábricas de software e, mais tarde, mergulhou no marketing digital por cerca de três anos, onde desenvolveu um curso de programação que ensinava Python e Django.
Foi nesse período que ele identificou a dor que originou o TinTim: a dificuldade de medir o funil completo de marketing, especialmente para campanhas que direcionavam usuários diretamente ao WhatsApp pelo Facebook Ads. A única métrica disponível era conversa iniciada — sem saber se aquela conversa virou venda, qual criativo a gerou, ou qual público estava convertendo melhor.
O TinTim resolve exatamente isso: ao distribuir um link rastreado que redireciona para o WhatsApp, a ferramenta captura a origem da conversa — campanha, público, criativo — e entrega ao anunciante informações muito mais detalhadas do que o Facebook nativo fornece.
Como a Ideia Foi Validada
A validação aconteceu de forma clássica e eficaz. Moacir apresentou a ideia para cerca de 15 a 20 pessoas no Fire Festival da Hotmart, em Belo Horizonte. A resposta foi unânime: se você fizer isso, eu compro na hora. Esse sinal claro de mercado foi suficiente para ele avançar para um MVP.
O primeiro cliente veio em novembro, logo após os testes iniciais em setembro. Com o nascimento do filho no mesmo período, Moacir desacelerou brevemente, mas retomou o crescimento em janeiro com vendas ativas e estruturadas. Sete meses depois, o TinTim atingiu R$ 40 mil em MRR.
Estrutura de Time e Crescimento Bootstrap
O TinTim opera com uma equipe enxuta: cerca de seis pessoas no total — três no time de programação, um head comercial, um head de operações e o próprio Moacir, que acumula funções de marketing e suporte à área de vendas. Um investidor-anjo entrou no caminho, contribuindo não apenas com capital, mas também com conhecimento de mercado em marketing digital.
Mesmo sendo praticamente bootstrapped, a empresa cresce via tráfego pago. O modelo de aquisição funciona assim: anúncios atraem leads, parte da qualificação é feita automaticamente no WhatsApp e parte é feita manualmente pelo time comercial. As vendas acontecem tanto em formato individual quanto em grupos.
Um detalhe importante: o próprio TinTim é usado internamente para rastrear as conversas geradas pelos anúncios da empresa. Quando um lead chama no WhatsApp, ele passa por um link do TinTim — o que permite coletar os mesmos dados que a ferramenta vende para seus clientes.
Por Que Focar em Agências e Não no Cliente Final?
Uma das decisões estratégicas mais inteligentes do TinTim foi definir o canal de distribuição. Em vez de tentar vender diretamente para dentistas, serralherias ou clínicas de estética — os negócios locais que mais se beneficiam do rastreamento —, o foco recaiu sobre as agências de marketing digital.
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Conheça o Vivendo de SaaS →A lógica é clara: a agência enxerga o valor imediatamente, porque é ela quem opera as campanhas dos clientes. Ao integrar o TinTim no trabalho diário, a agência entrega resultados melhores e consegue demonstrar ROI com mais precisão. Isso cria um programa de parceiros em que a agência paga para ser parceira e é remunerada conforme coloca novos clientes na plataforma.
O modelo funciona porque a agência tem interesse genuíno em vender o TinTim para seus clientes — não é simplesmente um afiliado que divulga sem comprometimento. A barreira financeira de entrada filtra parceiros desengajados e traz apenas quem enxerga valor real no produto.
Vender SaaS no Brasil: A Importância do Contato Humano
Moacir faz uma observação importante sobre o mercado brasileiro: diferentemente do modelo de infoproduto — onde a venda é totalmente automatizada —, o SaaS no Brasil exige contato humano. O cliente gosta de conversar, de saber que tem alguém por trás do produto, de ter suporte real.
Ele conta um episódio revelador: um cliente técnico ficou uma hora tirando dúvidas sobre como a ferramenta funciona internamente. Esse tipo de interação, que poderia parecer ineficiente, é na verdade parte do processo de venda no contexto brasileiro.
O sonho do programador é criar um software que se vende sozinho. Mas Moacir argumenta que isso tem um custo: para atingir o self-service real, é preciso investir muito mais em UX, produto e experiência do usuário — o que demanda um time qualificado e, portanto, mais caro. Muitas vezes, montar um bom time de vendas e onboarding sai mais barato e traz resultado mais rápido.
Equilíbrio Entre Empreendedorismo e Família
Um dos aspectos mais humanos da conversa é a forma como Moacir lida com a pressão de montar uma empresa enquanto acabou de ter um filho. A resposta não é heroica — é calculada.
Ele e a esposa se alinharam desde o início: ela segura as pontas dentro de casa, ele segura fora. Há um fundo de reserva construído ao longo de anos de fábrica de software e de trabalho com marketing digital. E há uma clareza sobre o prazo: se em um ano e meio as coisas não andarem, ele avalia uma mudança de rota. Afinal, como programador, as alternativas no mercado são abundantes.
Essa postura pragmática — arriscar com consciência do plano B — é um modelo saudável de empreendedorismo que muitos fundadores ignoram ao romantizar a jornada.
Lições da Jornada do TinTim
A trajetória do TinTim em sete meses condensa lições valiosas para fundadores de SaaS:
- Valide a dor antes de construir: Moacir conversou com 15 pessoas antes de escrever a primeira linha de código focada no produto final.
- Escolha o canal certo: vender para agências em vez de para o cliente final acelerou o crescimento com menos custo de aquisição.
- Use seu próprio produto: o TinTim rastreia suas próprias campanhas, o que gera credibilidade e aprendizado contínuo.
- Meça semanalmente: o time acompanha MRR semana a semana para detectar desvios rapidamente e corrigir o curso.
- O produto evolui com o mercado: o objetivo inicial era rastrear conversas; hoje, o TinTim quer ajudar o cliente a vender mais — uma mudança de posicionamento que veio de 100 conversas de vendas gravadas e analisadas.
Conclusão
Veja outro case de bootstrap brasileiro: Drivvo — 500 Mil Usuários sem Gastar em Marketing. E se a ideia é criar um MicroSaaS de nicho, leia o Guia Completo de MicroSaaS.
R$ 40 mil em MRR em sete meses é um número impressionante, mas o que torna a história do TinTim ainda mais relevante é o como: sem levantar uma rodada expressiva, com uma equipe enxuta, validando a hipótese no mercado antes de construir e mantendo foco absoluto no canal que funciona. Para qualquer fundador de SaaS no estágio inicial, essa conversa é um mapa prático de como sair do zero com inteligência.
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